Parceiros

Você está aqui: InicialBlogRevisão de TI da GM: 5 perguntas cruciais

Revisão de TI da GM: 5 perguntas cruciais

Publicado em: 23/07/12

As reações dos leitores da IW sobre o projeto de revisão da companhia, que inclui uma grande mudança de outsourcing, apontam para os desafios críticos que o CIO Randy Mott e sua equipe enfrentam

A transformação do plano de TI do executivo, assim como ele vez enquanto CIO da Hewlett-Packard, é de alto risco, por conta de mudanças importantes em várias frentes em uma janela de três anos. E Mott está fazendo isso enquanto a GM tenta se recuperar de um pedido de falência e ajuda do governo, por isso a TI está longe de ser o único lugar na empresa onde as coisas estão mudando rapidamente. “A GM está em processo de fazer um monte de decisões”, diz ele.

Alguns leitores chamaram a estratégia de Mott de “realmente nada de novo”, já que ideias como a consolidação de aplicações e centros de dados e medição dos resultados de TI não são revolucionárias. Eu não posso concordar com isso. Você pode debater o mérito da estratégia, se é que ela os tem. Mas eu não acho que alguém da GM vai se sentir como se nada tivesse mudado na TI da empresa.

Eu entrevistei Mott várias vezes durante suas passagens como CIO da Dell, HP e agora da GM, e ele só tem crescido mais inflexível em relação as mudanças em TI que os CIOs devem identificar – e depois mudar tudo de uma vez. Transformar toda a organização, argumenta ele, ou as peças que permanecem inalteradas te prendem.

Assim, mesmo que a GM terá de contratar centenas, talvez milhares, de profissionais de TI com o fim do outsourcing sugerido por Mott e com o desenvolvimento de aplicações e outras operações in-house, a GM consolidará seus 23 centros de dados em dois, com a automatização e redução de 4000 aplicativos (40%), de modo que os funcionários novos possam se concentrar em novos projetos de TI em vez de apenas apoiar a infraestrutura legada.

Provocar tanta mudança operacional e cultural na TI e na empresa cria uma aproximação da rampa de risco. Mas Mott acha que é por isso também que técnicos superiores vão considerar trabalhar para esta empresa recentemente falida. “Um monte de pessoas de TI está  muito impulsionada por isso, elas são levadas por um sentimento de realização”, diz ele.

A jornada será difícil. Ao ouvir os comentários de nossos leitores, tanto online quanto via email, elaboramos cinco questões fundamentais para serem pensadas, com base no plano de Mott.

A GM pode acompanhar o desempenho da TI durante o corte de aplicativos e centros de dados?

Mott quer consolidar os seus dois principais data centers, equipados com os mais recentes e automatizados hardware e software. Ele quer reduzir o número de aplicações – para tarefas de monitoramento de inventário e verificação de rastreio das tendências de consumo – fazendo a maioria deles padrão global da empresa. Cerca de 30% dos aplicativos da GM são globais hoje, e Mott gostaria que esse número chegasse  mais perto de 80%.

Um leitor, diz que a rede da HP e seus aplicativos sofreram com a consolidação e cortes de aplicação instituídos por Mott, enquanto o mesmo estava no comando: “A burocracia gigantesca e ineficiente criada pela transformação prejudicou as tarefas de desenvolvimento e a equipe de P&D… Esse desastre foi provocado pela insistência brutal que gastos com TI devem ser igual ou inferior a 1% da receita total.”

Dois pontos aqui. Uma diferença importante entre a revisão de TI da GM e o da HP é que a GM não está focando em grandes cortes de custos de TI. O objetivo de Mott na HP, na direção do ex-CEO Mark Hurd, foi cortar gastos com TI assim como o percentual da receita de 4% para 2% até 2008. Na GM: “Iremos reduzir o orçamento? Sim, mas é provavelmente um pouco ao contrário de muita coisa”, diz Mott. “O que nós queremos mudar é onde nós gastamos o dinheiro. Não necessariamente sentir que estamos terrivelmente gastando mais do que deveríamos como no exemplo do passado que você trouxe à tona, mas estamos definitivamente gastando pouco em inovação e demais em gestão do negócio. Nós realmente queremos salvar dólares e investir em inovação para oferecer suportar ao negócio. ”

É inteiramente verdade que o desempenho da infraestrutura – centros de dados, redes, aplicativos, são as apostas da mesa de TI. Esta nova TI não pode ser um motor de inovação se os engenheiros não tiverem os aplicativos essenciais e a largura de banda de que necessitam para criar carros frescos, ou designers e marqueteiros não terão os dados necessários para avaliar as tendências.

A GM pode ter os seus dados em ordem para melhor compreender os clientes?

O CEO da GM, Dan Akerson, disse que a companhia precisa de uma capacidade de depósito de dados muito mais forte, de modo que os funcionários possam usar os dados para compreender melhor os clientes, tendências de mercado e desempenho dos negócios. “Nós vamos ser muito, muito mais baseado em dados do que episodicamente temos feito”, disse.

Na HP, Mott, em 2008, disse que a companhia tinha ido de 700 repositórios de dados em 2005 para 50, com um plano para chegar a um armazém central. A TI da HP foi o cliente de demarcação do seu próprio produto de data warehouse, chamado Neoview, que foi contra aos gostos de Teradata e Oracle. Um comentarista escreveu: “O que a HP está fazendo agora que o Neoview não está mais em desenvolvimento?”

Mott é intencionalmente vago sobre o que a GM vai implementar para consolidar seus 200 data marts. Mott planeja decidir sobre essas escolhas no final do ano. Chegar a uma arquitetura não pode significar, literalmente, chegar a um data warehouse ou uma tecnologia, mas o objetivo é fazer com que todos os dados centralizados sejam, portanto, mais fáceis para os empregados acessarem e compartilhararem, diz ele.

Esta estratégia poderia criar alguma tensão com funcionários da GM. Mott abomina “shadow IT”, onde as unidades de negócios criam sistemas ou armazenamentos de dados sem a ajuda da TI. Mas ele reconhece que os seus colegas tinham algumas boas razões para ir atrás dos dados que eles precisam. Mott diz que não é correto dizer que o negócio não conhece as peças realmente críticas da informação que eles precisam para fazer seus trabalhos, porque eles trabalharam duro para obter essa informação. Diz Mott, “A questão é, eles vão saber muito mais que eles não tinham que trabalhar duro para obtê-lo. A resposta é sim.”

O esforço do plano de TI de Mott será visto como eficiente ou burocrático?

Mott requer uma análise custo-benefício para cada projeto de TI. Se é um projeto pequeno, é um pequeno CBA, ele insiste. Mott usa um ciclo de planejamento rigoroso, que força os líderes das unidades de negócios priorizarem projetos, por isso a TI está colocando os mais importantes em primeiro lugar.

Este processo atraiu muitos incrédulos entre os leitores. Diz um: “Geralmente, o suco não vale a pena pelo tempo que perdemos espremendo a laranja. Sim, você provavelmente pode martelar um projeto de ROI bastante abrangente se você tem uma dúzia de analistas que trabalham com os números, DCFS e VPLs, etc, mas exceto para projetos muito grandes, o custo da análise e da burocracia irão consumir os ganhos. Toda essa análise sobre ROI também torna muito complexo fazer qualquer coisa, assim como a construção do business case é um aborrecimento. ”

Outro comentador que diz ser um ex-funcionário sênior de TI da GM afirma que a GM teve esse problema no passado e precisa ficar mais ágil: “A TI em si tem processos burocráticos …. Cada projeto tem que fornecer métricas e tantos painéis que não são de nenhum valor . ”

Eu tenho levado Mott a estudar esse tópico várias vezes, perguntando se a sobrecarga de seu planejamento e esforço de informação valem a pena, e se corre o risco de retardar a velocidade de execução. Afinal, um grande motivo para insourcing é que a GM pode se mover mais rápido, e não começar cada novo projeto de TI com uma negociação do contrato com o contratante.

Mott acha que o processo CBA vale a pena por vários motivos. Um deles é que ele força as unidades de negócios a dizer-lhe quais projetos são mais valiosos do que outros. Ou seja, ele reconhece que a TI é um recurso escasso, assim como o capital financeiro, então nem todos os projetos serão concluídos. Ele estabelece, com a equipe de finanças, quais são os benefícios.

Mott também quer saber o que a organização de TI tem realizado. É como a empresa sabe se a TI está entregando, e é como profissionais de TI serão motivados a fazer o trabalho sem glamour à frente, como consolidar centros de dados e aplicativos. “Você tem de conduzir um alto senso de realização”, diz Mott. “Se você está disposto a conduzir uma transformação, você tem que medir as consequências e toda a organização tem de saber os resultados.”

Mott reconhece que este processo CBA exige esforço extra, especialmente quando as pessoas primeiro aprendem o processo para depois avaliar se vão apoiar o projeto.

Onde a GM irá colocar seus novos centros de desenvolvimento de softwares?

A GM planeja ter quatro centros de desenvolvimento nos EUA, incluindo um já em vigor em Warren, Michigan, perto de Detroit. Mott diz que os outros três locais devem ser determinados e que ele vai basear-se principalmente na capacidade de recrutar talentos de tecnologia, inclusive de universidades.

Nós não poderíamos deixar de especular que um seria no Vale do Silício. É o mercado mais caro do país para talentos de TI, mas empresas rivais como a GE e Ford decidiram que precisam estar lá para permanecer na vanguarda do software. Um leitor pediu para questionar a sabedoria: “Claro, não é muito longe de qualquer UC Berkeley ou Stanford, mas e depois disso? A Costa Leste tem um tecido mais denso de fábricas e universidades de talento?”  Ele ofereceu Boston como um local promissor – que também é caro e não tem a tecnologia que o Vale do Silício tem.

Os locais de centro de desenvolvimento irão tanto refletir quanto influenciar a cultura da GM. É Silicon Valley e Boston ou é em algum lugar como Pittsburgh, Charlotte, Dallas ou Denver? Adverte o leitor: o Vale do Silício “é famoso por sua cultura mercenária e ao que parece por insourcing, Mott está tentando (re)criar uma cultura empresarial de fidelidade que não voa em Silicon Valley.”

A GM pode fazer boas contratações e construir uma nova cultura?

Isto para mim é o maior desafio. Para a GM mudar a partir de 90% de terceirização de TI para 90% de in-house é preciso contratar centenas ou mesmo milhares de pessoas, assimilá-los na cultura pós-falência da GM e reescrever o processo de TI da companhia ao longo do caminho. A mudança pessoal é a coisa que excita um monte de comentaristas em nosso site, que tendem a ser antiterceirização: “TI não é um luxo, mas uma necessidade para qualquer empresa executar eficazmente. GM fez algumas más decisões. Eles estão finalmente fazendo algo inteligente.”

Um comentarista vê uma grande promessa para a GM em contratar durante um mercado fraco de trabalho: “GM e outros empregadores podem agora comprar talentos top de TI das melhores escolas, além de profissionais de TI semiexperientes cujos rendimentos foram reduzidos devido à terceirização e a economia ruim.”

Mas mudar uma cultura é um caminho repleto de riscos. Mott entrou em choque com a cultura arraigada da HP, às vezes. E a escala do desafio cultural e de RH é assustadora.

Você pode se interessar por:

DoctorNet - Redes e Conectividade
Fone: (53) 3028-9559 / Capitais e Regiões Metropolitianas 4004-0435 Ramal 9559
Rua General Osório, 1092 - Centro
Pelotas/RS - CEP 96020-000

Acompanhe-nos

by Sigales.com

  • DoctorNet
  • DoctorNet
  • DoctorNet
  • DoctorNet